
Pois é... Acho que essas foram as férias mais longas da minha vida. E estão no fim já. Na verdade esse tempo foi um tanto quanto... Novo. E tenho pensado bastante e vários aspectos da minha vida agora que chega novamente o momento de dizer "adeus". (Que dramático, hum?!)
Realmente nessas últimas semanas estou me sentindo extremamente... INÚTIL! Talvez por não estar trabalhando, nm ter ao menos começado as aulas... Quem estiver lindo isso agora realmente deve estar pensando nisso certamente: "Que menina folgaaada!". Mas antes de fazer qualquer julgamento... Será que realmente uma pessoa que não esteja trabalhando deva ser considerada folgada?
Pelo menos quando eu trabalhava tinha um montão de gente no ônibus, provavelmente indo trabalhar também, que eram pra lá de folgadas! Você pedia uma simples "lincencinha" e a pessoal fingia que não ouvia. Tinha aquele tipo de pessoa que via senhorinhas, mulheres evidentemente grávidas, pessoas com bebês ou com um monte de coisas pesadas nas mãos - o que era o meu caso em época de provas e preparação de monografias - que não se habilitava nem pra olhar para essas pessoas necessitadas de um pouco de bom senso.
E tem aquelas que estão em busca de um emprego e não conseguem. E aquelas que estão entando se especializar também. Não é que elas não estejam fazendo nada. Com certeza fazem muito mais do que algumas pessoas que estão trabalhando. Como as atendentes de um certo café que estive ontem. Meu pedido não poderia ter sido mais simples: chocolate quente e uma porçãozinha de pães de queijo. Demorou um tempão pra chegar e eu estava faminta! Os waffles que minhas amigas pediram chegaram bem antes. Então, quando finalmente vou tomar meu chocolate QUENTE pra poder me aquecer, na verdade tinham me servido um chocolate MORNO tendendo ao frio. E olha que eu nunca paguei tão caro por poucos mLs de chocolate! Enfim, pedi pra trocar e enfim pude tomar meu chocolate QUENTE, VIVA! Ah, teve uma grande confusão com pedidos que não tínhamos feito também - e que chegou antes do meu simples pão de queijo com chocolate quente.
Enfim, na verdade não estou trabalhando por alguns motivos antes que alguém venha me dizer: "Isso não é desculpa." Na verdade esse ano vai ser bem diferente do ano passado. E o ano passado já tinha sido bem diferente do ano retrasado. Porque esse ano pretendo me tornar uma mulher independente!! (Grande multidão aclamando.)
Pois é. O primeiro passo está dado. Estou alugando meu primeiro apartamento e dando adeus definitivo a uma vida de confortos. O segundo passo está próximo de chegar e será ainda maior: encontrar um emprego que me sustente. Chega de depender do meu pai pra pagar as minhas contas. Aí finalmente eu poderei dizer: "Sou eu quem paga as minhas contas". Quando vierem me acusar de não ser tão bem sucedida quanto as pessoas achariam que eu deveria ser. Aliás, ninguém deve achar nada disso além de mim não é verdade?! É lógico que quero muito mais e estou tentando desenhar esse caminho da forma mais certa possível. Mas ás vezes esse caminho parece um tanto quanto tortuoso para alguns. Mas quem está trilhando por ele sou EU, não é verdade? Além do mais tenho sido guiada pelo melhor guia que poderia ter por isso não estou com medo. Não sei porque algumas pessoas tem tanto medo. O medo que eu tenho é de aranha, não de viver.
E é por isso que estou tentando aproveitar ao máximo os bons momentos em casa porque tem se tornado cada vez mais claro pra mim que o meu lar, em breve não será mais aqui, de onde agora escrevo esse post. Daqui a pouco esse será apenas o computador do meu pai, ou da minha irmã. Daqui a pouco essa será apenas a casa do meu pai. Simplesmente isso. Quero aproveitar os últimos momentos de ser filha, apenas isso. De ter minha batyan* pra dar ohayou* de manhã e me chamar pra jantar diversas vezes. De ter meu pai me dando cobertura sempre. Até mesmo de ter meus irmãos me torrando a paciência e vice-verso ou discutindo por coisas bobas. Eu sei o quanto isso fará falta, mas por mais que eu tente continuar não será mais a mesma coisa. Já não tem sido. Eu só queria poder me sentir dependente pela última vez pra então partir. Enfim... Parece que essa contagem regressiva está finalmente no fim. Ao mesmo tempo parece que toda minha vida foi uma espécie de treinamento para a chegada desse dia. Talvez o motivo de nunca ter um amigo ou amiga a quem eu seja extremamente apegada/ dependente – realmente tenho aprendido que grandes amizades não estão baseadas somente na presença física apenas, talvez o fato de eu não ter muita paciência em esperar por alguém – ou de ser esperada por alguém, talvez minha própria simpatia pela solidão necessária – algumas vezes forçada, talvez muitas das despedidas da minha vida... Talvez tudo isso tenha sido um aprendizado para uma vida sem apegos. Pra que minha confiança não esteja em ninguém – nem mesmo em mim. E antes que alguém diga alguma coisa isso não quer dizer que eu não me importe com ninguém! Não é nada disso! Na verdade eu não sei explicar sobre isso mas não é porque estou longe da minha família e amigos que vou deixar de amá-los. Eu só não devo ter medo de estar longe se isso for o certo no momento. (E isso não quer dizer que deve ser isso tudo deve ser certo para todos.) Mas isso já é assunto para outro post!
Até lá!
______
Notas:
Batyan - batyan é batyan, ué! Okay, é avó. Mas batyans geralmente tem toda uma caracterização que avós geralmente não tem.
Ohayou - Bom dia